sexta-feira, 23 de julho de 2010

porque hoje é sexta...

" - Viver no Rio é uma merda; mas é bom. Viver em New York é bom,mas é uma merda."
(Tom Jobim).


Entre o bom e a merda existe um espaço pessoal indescritível. Há pessoas que se queixam de tudo, outras que se queixam por nada. Mas, trocando em miúdos, o melhor é se sentir bem em qualquer situação. Por exemplo, hoje eu acordei e comigo veio a música de Rachmaninoff - era o maravilhoso Concerto nº 2 para piano. Há pessoas que detestam essa música. Tive um amigo que certa vez me confidenciou que Grieg era mil vezes melhor que Rach. Olheio-o de soslaio e pensei: por que não vais à merda - a mesma merda citada por Jobim. Eu acordei nesse melhor dia, radiante, feliz, com os pensamentos ordenados, querendo desfrutar desses poderes que o apóstolo Paulo escreveu: "poderes dos séculos vindouros". E aí se inserem muitas coisas, muitas leituras, muitas reflexões, muitas confissões...Hoje o dia é até de bem-te-vi, que pousou no prédio vizinho e cantou a Deus o seu melhor canto: "bem-te-vi". Hoje é dia de celebrar a sanidade - estar sempre curado, não precisar de medicinas, viver acima do pensamento humano, mirando o eterno. Hoje não é sábado, contrariando Vinícius, hoje é sexta e aí reside o mistério de ser feliz sem limites numa linda e ensolarada sexta-feira.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A literatura por Ruy Castro

A literatura por Ruy Castro

Valeu!...


Tenho recebido dezenas de emails de políticos que estão se candidatando. Todos me conclamam para ser um cidadão consciente e ser mais um voluntário em sua campanha. Ponto para respirar. Pausa para não xingar.

Reinicio a prosa para dizer que não vou falar em política. Vou escrever um pouquinho sobre o momento atual em que vivemos. E aí meus pensamentos perplexos me fazem meditar sobre Robson Crusoé. Estar sozinho numa ilha.

Hoje acordei e me imaginei sendo essa personagem. Mas por que despertar e logo pensar em Crusoé? Simples. Meu vizinho de cima está fazendo obras em seu apartamento e o ruído ininterrupto das talhadeiras começa cedo. Nessa hora anelo pelo refúgio em completa solidão.

Há horas em que chego a amaldiçoar a "civilização". E há motivos, estou certo. Primeiro pela existência do pensamento único. Não há mais o contraditório. Assisti recentemente a um vídeo onde o pedagogo Paulo Freire, em um evento na Espanha, em 1994, profetiza esse descalabro social. Ele diz que não haveria mais montanhas na ótica do pensamento, somente planícies onde a estrutura das discussões seria literalmente igual. Basta olharmos para Serra e Dilma e os demais políticos. São indiscutivelmente os mesmos.

Estamos cercados pela moda igualitária. Uma maneira de se vestir é imposto pelas novelas e todos seguem a mesma regra. Crianças, jovens, adultos, pessoas de mais idade, todos seguem o que foi estabelecido. O termo "Moda" também transita pelo campo das idéias. É o vovô com o bonezinho, é a senhora, a criança e a jovem se vestindo no estilo "cachorra". Vemos tudo isso e não nenhum conflito, como previu o grande mestre Paulo Freire no final do século passado.

Todos vão para o shopping respirar aquele ar viciado pela quantidade de pessoas que circulam nos corredores atulhados de gente com embrulhos cheios de sua necessidade de ter o que o vizinho tem.

Enquanto isso há um segmento que está sentado em frente a um televisor. Prefiro não fazer comentários.

Sobre o twitter, prefiro citar o que falou José Saramago, que nos deixou em 18 de junho último: "O twitter é o último passo da linguagem em direção ao grunhido".

Você poderia estar pensando: "Esse cara é um saco, cheio de amargura, que vive brigando com o mundo". Não, não sou. Pelo contrário, sou o melhor otimista.

Essa sociedade, moldada ao mercado, nas mãos dos poderosos de sempre, está aí, a pleno vapor. Não julgamos mais a vida pela alegria ou pela felicidade das pessoas, mas pelo PIB do país, pelo IGPA que cresce ou baixa, pelas reuniões do COPOM, ou pelos resultados do ENEM ou do ENADE. Somos produtos de siglas inventadas pelos capatazes do neoliberalismo.

Ligo o meu radinho companheiro e ouço: Vasco e Flamengo empatam na rodada de ontem. Vou pra academia, lá eu posso praticar "fitness" e "spinner". By.

sábado, 10 de julho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Línguística - material para o trabalho

1. INTRODUÇÃO
A variante linguística diatópica, objeto do presente trabalho, é estudada pela Sociolinguística, ramo da ciência da linguagem que estuda a língua em uso. Seu campo de trabalho abrange as variações lingüísticas, isto é, os diversos usos individuais da linguagem.
No caso específico de nosso trabalho abordaremos as características regionais da fala.
O Estruturalismo de Saussure
Faz-se necessário, entretanto, antes de entrarmos no tema propriamente dito, citarmos o estudo do estruturalista Ferdinand Saussure, base para qualquer estudo lingüístico que se queira desenvolver.
Este linguista, na primeira metade do século XX, estabelece a dicotomia: língua e fala que chamou respectivamente de langue e parole.
Saussure define que o uso individual da linguagem não faz parte do objeto de seu estudo científico. Diz Saussure que a fala é extremamente ampla, tem muitas faces, muitos ângulos, e não há método científico que consiga abranger todos esses aspectos. Chama-a então de heteróclita e multifacetada, que não permite fazer generalizações, já que cada um usa a língua de um jeito.
Sua preocupação então restringe-se à langue – parte social da língua, que não se pode modificar, porque é domínio de todos.
Noção de Norma
Saussure não estuda a fala. Por exemplo, o r retroflexo não faz parte de seus estudos. A linguagem saussuriana é social, não individual.
Surge então a contribuição do linguista romeno Eugenio Coseriu, que propôs um acréscimo à dicotomia saussuriana introduzindo o conceito de norma – não como restrição, mas como conceito de linguagem normal.
A tricotomia de Coseriu vai do mais concreto (fala, uso individual da norma) ao mais abstrato (língua, sistema funcional), passando por um grau intermediário: a norma (uso coletivo da língua).
Em outras palavras, há realizações consagradas pelo uso e que, portanto, são normais em determinadas circunstâncias lingüísticas, previstas pelo sistema funcional.
É à norma que nos prendemos de forma imediata, conforme o grupo social de que fazemos parte e a região onde vivemos. A norma seria assim um primeiro grau de abstração da fala. Considerando-se a língua (o sistema) um conjunto de possibilidades abstratas, a norma seria então um conjunto de realizações concretas e de caráter coletivo da língua. (http://www.jackbran.pro.br/linguistica/norma_coseriu.htm-em 31/05/2110)
“Com o conceito de norma, os estudos lingüísticos fundam uma Sociolinguística, que observa com atenção as relações entre a língua e os fatores sociais, geográficos e históricos que determinam sua realização.”(FIORIN, JOSÉ LUIZ, 2010,pág.93)