
Neste domingo assisti ao filme "Leões e Cordeiros". Ùltimamente, confesso, não tenho gostado do que vejo. Como não tenho hábito de entrar em filas de cinemas de Shopping, reservo-me o direito de assistir às películas por DVD. Calmamente sentado, diante de meu televisor, podendo dar "pause", podendo vê-las em fatias, a qualquer hora do dia, voltar a vê-las, enfim, me deliciar ou não com o que estou vendo. Esse é um hábito saudável. Porque agindo assim temos até o direito de devolver o DVD para a locadora, sem siquer ter visto o filme. Bem. Vi "Leões e Cordeiros". O cast é formidável. Tinha tudo para dar certo. Mas o que imaginei que fosse base para uma reflexão de coçar a cabeça, me frustrou mais uma vez. Ali havia centenas de argumentos contra e a favor da política internacional dos EUA. Ali havia personagens que poderiam ser mais densos, melhor construídos, com postura e personalidade, mas foram criados tipos ambíguos, pusilânimes, meros condutores de mensagens, produtos do marketing de guerra. Houve momentos em que imaginei que o diretor do filme, aliás um excelente ator já em fase de aposentadoria, Robert Redford, fosse imprimir um viés crítico mais consistente contra as idéias belicistas do senador republicano, interpretado por Cruise. Ledo engano. Nas contraposição de interesses, Redford foi tímido, talvez induzido por suas próprias convicções, de chegar mais próximo à realidade, escancarando as verdadeiras razões das guerras contra o Iraque e Afeganistão. Esse é o mal do cinema americano: há sempre uma bandeira dos EUA tremulando mesmo nas mentes dos opositores ao império e aí perdeu-se um bom motivo para se questionar o que acontece hoje nos corredores da mais poderosa nação do mundo. Perdão, Redford, mas Obama faria melhor.
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