
"Meu mestre deu a partida, ora vamos embora, pelo litoral, vamos embora..." Era o que se ouvia nas rádios AM. Ou então: "Ah, quem me dera voltar, quem me dera um dia, rever de novo a Bahia, Bahia do coração..." . A primeira canção de Edu Lobo e a última de Caetano, em seu primeiro disco junto com Gal Costa, num disco de vinil, um bolachão, que comprei e colecionei com gosto de quem acha uma pérola de grande valor. Tive o privilégio de assistir, na Tv Tupi, o programa de Sérgio Porto e ver o lançamento de Gal, pela primeira vez num canal de televisão. Quanta ingenuidade e beleza rondavam aqueles anos e eram tempos de chumbo. A música resplandecia com vigor enfrentando censuras e medos. Assisti pela Tv quando Sérgio Ricardo arremessou o seu violão contra a platéia, em meio a uma vaia descomunal após tentar em vão cantar o seu fraquíssimo "Beto bom de bola". Hoje não ouço mais Edu. nem no Youtube se vê coisa nova com ele. Gal parece que se "acaymisou" e sumiu. Quanto a Sérgio Ricardo ficou a lembrança de sua trilha sonora para "Deus e o diabo na terra do Sol", porque até Glauber pouco é lembrado pela grande mídia. Hoje nos impuseram um pensamento único, uma democracia de partidos sem fronteiras, uma liturgia repetitiva do poder. Alguém já falou até que sem pressão não há arte, não há boa política, não há novas idéias. Quando leio que o trabalhador durante a Revolução Industrial de dois séculos atrás era obrigado a trabalhar 18 horas por dia e vejo que os CEOS das empresas modernas trabalham as mesmas horas, fico pensando se o avanço tecnológico valeu a pena. Há uma música que diz: o tempo não pára no porto, não apita nas ruas, não espera ninguém...De um ponto a outro das extremidades das eras há um grande cortejo, para o qual a história tenta vestir o homem com novas formas para situações diferentes, mas, em cada ponto da realidade, ele se mostra o mesmo, onde suas debilidades apenas se aperfeiçoam continuamente.
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