segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

escrever é ser medido...


O sono tenta impedir que eu escreva. E tinha tanta coisa para escrever. Tenho assuntos latentes e outros já explícitos em meus dedos. Basta um pouco de exercício de teclado para que as idéias vão sendo postas no texto livre. Há muita informação no terreno da memória histórica. Há bastante fatos que vi e vivi e que fizeram parte de anos e anos de experiência. Há saudades que sei que são inúteis pois as pessoas crescem, modificam-se, mudam valores e, como um rio nunca trazem as mesmas águas. Abro minha boca e ressono. Mas o escritor tem que prosseguir. Olho para a minha Parker 51, que me acompanhou durante todo o meu ensino médio. Quantas idéias sairam desenhadas pela “tinta azul real lavável”...Mas hoje o computador tirou a poesia da antiga escrita e deu velocidade a nossos sonhos...
Não preciso mais de mata-borrão, basta deletar as palavras...Quando erro nessa chamada digitação ainda tenho o recurso da edição e o texto se mantém impecável...
Quantas cartas de amor se amarelaram pelo tempo, e jazem no fundo de uma gaveta que ninguém mais vai abrir.
Ainda tenho sono e só me ocorrem fatos remotos, inalcançáveis, alguns intraduzíveis...Já não podemos compartilhar nosso pensamento para uma só pessoa. Estamos expostos todo o tempo e somos analisados segundo a régua de um calculista e de acordo com a personalidade implacável de um leitor crítico. No tempo dos alfaiates, eles eram os únicos a terem nossas medidas, no entanto hoje somos auferidos por parâmetros sentimentais. Já não há mais números, há percepções abstratas e quase sempre equivocadas. Nem sempre somos o que escrevemos, até porque há o cuidado de não parecermos justamente aquilo que vão falar que nós somos.
Leitor amigo, jamais esqueça que “o pássaro na gaiola quando não canta por agrado, canta desesperado”.

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