sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

de índios, Jesse James e o ar nosso de cada dia...


Todos reclamam do trânsito. O Rio de Janeiro está saturado. A qualquer hora há congestionamento. Ligo o rádio e todos comemoram o recorde de vendas da indústria automobilística. Lula comemora, empresários comemoram, todos comemoram...O governo baixa os impostos para o carro sair mais barato. As vendas, em consequência, aumentam e as montadoras vão de vento em popa...Entrementes, “do outro lado da cidade”, especialistas em meio-ambiente puxam os cabelos porque o ar piorou e o monóxido de carbono invade as narinas dos transeuntes desprevenidos. A camada de ozônio, ufa, que problemão! E esses especialistas recebem seus salários do próprio governo, esse mesmo que incentiva a venda de automóveis. Loucura? Não. São sinais dos tempos modernosos em que vivemos. No velho oeste, eram as diligências. Esses “bólidos” transportavam em cada viagem cerca de 15 pessoas, contando com o cocheiro, seu ajudante e seguranças. Pelo caminho não havia congestionamentos, mas o trajeto era demorado, com muita poeira, com pedras dificultando a passagem, índios à espreita e assaltos ocorrendo quase sempre. Havia viagens que deixavam rastros de sangue pelo caminho. Depois, vieram os trens. O pó da terra que era levantado se misturava à fuligem que saía de suas chaminés. Mas continuaram os assaltos – Jesse James ficou lendário – e continuou o desconforto nessas viagens. Muitos fazendeiros foram “instados” a vender suas propriedades para que a estrada de ferro pudesse passar por caminhos mais planos e novos nichos de população foram se estruturando, junto às estações dos trens, formando novos povoados. Passaram os tempos e as estradas deixaram para trás os dormentes, os trilhos e as velhas locomotivas. Hoje estamos colhendo os frutos de sementes lançadas a esmo. A luta por um ar mais limpo esbarra com as alucinações do capitalismo. A preservação do parque industrial que produz nossos automóveis convive hoje com a seguinte ambiguidade: produzir e vender carros versus conseguir sustentabilidade através de medidas eco-empresariais. Estou parado há uns cinco minutos na Av. Presidente Vargas. Nada anda. Não passa nem motocicleta. Será que o mundo parou? Minha bexiga já está no limite máximo...Olho para a placa de trânsito fincada no poste e lá diz: limite de velocidade: 70 km. Passo pelo pardal eletrônico mais à frente e dou-lhe uma banana. Hoje a prefeitura vai faturar muito menos, mas o ar vai continuar cada vez mais poluído. Pelo “andar da carruagem” vou ter que fazer xixi pelo trajeto...

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