
A rua e a calçada eram bem estreitas. Havia muitas casas do outro lado, como antes, numa concentração logo no início da caminhada e depois quase uns trezentos metros de terreno baldio com mato alto, também como antes. Fui caminhando pelo meio-fio, mania de criança, quando tinha a convicção de que chegaria mais rápido, não me desviando daquela linha reta. Ledo engano, tantas linhas pela vida me obrigaram a enveredar por caminhos sinuosos, mais longos, desnivelados e errantes. Onde estaria você se há tanto tempo não passava por ali? Onde meus passos iriam dar depois de anos não mais lhe encontrar? Lembrei-me da loucura de ter-lhe visto pela primeira vez. Lembrei-me da loucura de ter me despedido de você pela última vez. Lembrei-me afinal da insanidade de perdermos o contato mesmo sabendo nossos endereços, nossos mais frequentes caminhos...Mas a maior tristeza foi a de perseguir sua imagem, uma aura perdida pelo tempo...As ruas já não podem mais conter a heresia de ser você o meu grande mistério. O inesperado não me surpreende mais em sonhos loucos e inebriantes. A vontade de ter você já se foi na voragem dos dias que nos separaram para sempre. Sei que agora essa perseguição é mais mania de não esquecer você, é a vontade de sempre caminhar em linha reta, onde desafio a mim mesmo em traçados dessa rua perdida...
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