
Hoje não li jornal. Até tentei abrí-lo, mas uma ânsia de me manter distante de tantos disparates, de poder refletir sem ler a opinião alheia, me fez muito bem. Acabei abrindo um livro deixado a esmo, esquecido, como um cão sem dono e comecei a folheá-lo. Comecei invadindo a privacidade do autor, mas só algumas palavras, poucas palavras. Procurei de cima abaixo das páginas que abri algo que me chamasse a atenção. Nada, as letras continuaram ali, firmes, como os sentinelas do palácio da rainha da Inglaterra. Estão lá, parados, calados, tristes, acabrunhados...O que pensam os sentinelas? Uma coisa eu sei: acreditam que dão segurança à rainha quando um bin laden qualquer explodiria a guarita com um simples detonar de explosivos. Não são assim as letras deixadas nos livros? Elas sofrem porque têm que andar juntas para poderem formar idéias e reflexões. Talvez briguem umas com as outras querendo primazia na leitura. Têm ainda aquelas que se julgam as melhores, dizem que são as que dão melhor entendimento ao leitor, que expressam com maior clareza o pensamento do autor do livro. De repente, não pude me conter com tanta jactância que saía de dentro do livro. Fechei-o e coloquei-o expremido entre outros pouco interessantes na prateleira da estante, como se lhe atribuísse um castigo. Pus um CD de Chopin no PC e resolvi escrever no começo desta terça-feira uma crônica do dia anterior.
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