sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

imagens, desenhos da memória...


Adoro fotografias. Não, adoro imagens de uma maneira geral. Sou um useiro e vezeiro pesquisador de imagens do google e lá estão as melhores. Não há o que mais simbolize o que queremos dizer do que uma bela e boa imagem. Ela carrega a inteligência, sem palavras, a sensibilidade sujeita aos olhos. Numa imagem estão reunidas todas as mensagens da criatura humana, e cada pessoa formula suas próprias expressões. Imaginem se os tempos coloniais não fossem retratados pelas gravuras. O grito do Ypiranga está em nossa retina. Qualquer menino que está frequentando os bancos escolares, quando crescer irá se lembrar de D. Pedro I bradando o famoso: Independência ou morte! E pela imagem todos vêem o mesmo imperador, com sua bela montaria e sua espada em riste para declarar o Brasil independente de sua terra natal. Quem não se lembra dos heróis em quadrinhos: Cavaleiro Negro, o Zorro e seu amigo Tonto? Quando leio seus nomes, vêm à mente a imagem de todos eles... Imaginem agora, caros leitores, se é que os tenho, se todos os segundos pudessem ser postos sob a forma de imagem! Teríamos todo o passado no presente. Que loucura seria? Hoje essa visão já está, em parte, nas câmeras dos condomínios e bancos que têm até contribuído para a solução de assaltos, homicídios, roubos de automóveis etc. Mas o que pode interessar não são todas as cenas, são os fatos que marcaram os instantes. As imagens conseguidas em momentos significativos é que formam esse cotidiano de análises e representações. Particularmente, sou aficionado às ilustrações do século passado, mesmo me perguntando se, durante o trabalho, o ilustrador não tivesse perdido alguma coisa que não lhe chamara a atenção e desse um traço diferente, e até mentiroso, à cena que ele buscou retratar. Com as imagens em pixels tudo pode girar em torno da ilusão de ótica ou, lamentavelmente, sermos enganados pelas garras do photoshop que produz falsos “brilhantes” , enganos e realidades mentirosas. As melhores imagens são aquelas que trazemos como saudades, lembranças boas ou más que construiram a nossa vida. Os que não têm o dom do traço como eu, carregam as cenas em usa própria memória. E , por isso, quando voltamos a rever os lugares e as pessoas que fizeram parte de tudo, percebemos que o tempo envelheceu e transformou nossas referências, nossos pontos de apoio nas razões que o passado pareciam ter, como imutáveis caíram. A metamorfose dos dias está sempre nos enganando, pois as imagens dos anos há muito que esmaeceram. Por exemplo, como lidar com as imagens de pessoas que se submetaram a processos de cirurgia plástica? A questão é que a imagem que se vê no momento e que contrasta com a de alguns atrás não muda o que está no caráter, nas atitudes, nos valores do que não se vê. Lembro-me de um poema bissexto de Euclides da Cunha que trata justamente do que se nota na fotografia e o que está oculto na pessoa: Entre outras questões, parafraseando Euclides, nosso escritor escreve: “Se acaso uma alma se fotografasse, de sorte que nos mesmos negativos, a mesma luz pusesse em traços vivos o nosso coração e a nossa face......tu terias a mais completa e insólita surpresa, notando deste grupo bem no meio, que o mais forte, o mais ardente desses sujeitos, é o mais fraco, o mais frio, o mais feio.”

Nenhum comentário: