quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

a ave da manhã...( com liberdade sem vírgulas)


Vejo uma ave vadia voando pela janela no dia em que acordo com acordes desconexos de uma guitarra que guincha volúpias. A ave segue batendo asas remando contra o vento sem paradeiros alentos que ruminam vontades de ser seu porto de migração. Mas aquela ave eu conheço fez morada onde esqueço os dias que passaram e não deixaram registros nem no alto nem no chão. Ela está de volta aproveitando seu tempo de vida porque é preciso exercitar asas e espreguiçar o tanto de energia que ganhou depois que aprendeu a voar. Eu a observo altaneira alvo de atiradeira sem saber por que voltar. Fecho a janela e vejo que aquela a ave talvez tenha vivido apenas para emoldurar meu sono e ser pano de fundo nesta manhã cinzenta que mora fora de mim.

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